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Voz de Papa

por neves, aj, em 30.07.07

CLICARJuramos a pés juntos que estaentrada nada tem a ver com uma anterior quecolocámos no Voz do Sevensapo.pt, já que é certo e sabidoque o Papa Bento XVI nada quer compreservativos, condenando inclusive o seu uso... posições firmes e radicais,digamos que fundamentalistas, completamentefora do mundo real que vivemos mas que a liberdade de opinião (e de escolha)que defendemos nos leva a admitir.
O que nos leva a fazer estareferência a
Sua Santidadeé o aparecimento na nossa mente de uma dúvida, acentuada diga-se, perguntando-nos serealmente tudo irá bem por Roma, se os assessores papais são fiéis, se naverdade possuem capacidade para desempenhar o cargo ou se o Vaticano sofre, por vezes, de amnésia.
Passamos a explicar:
– numbelo dia vem o assessor pessoal (do Papa) falar-nos da ameaçado islamismo ao alertar-nos contra os perigos da sua expansão pregando então que "... não podemos negar as tentativas doislamismo de se estender pelo Ocidente e não deveríamos ser muitocompreensivos a ponto de não ver que isso ameaça a identidade da Europa".
– passadosuns dias eis que, pela sua própria voz, o Papa Bento XVI vem pedir alibertação de reféns que se encontram nas mãos de militantes islâmicos doAfeganistão, os apelidados rebeldes talibãs ou talibans.
Quer dizer:primeiro trata-se de lançar bases para a formação de uma nova cruzada contrao mundo islâmico e depois vai-se pedir aos seus seguidores que sejam bonsrapazinhos? 
Não dá para entender.
Sinceramentecremos que esta Voz de Papa, mesmo que chegue ao Céu, não vai chegar a maislugar algum. Por outro lado, acreditamos que não seria mau de todo que osassessores aprendessem alguns provérbios, como este que não sei se é deexclusividade lusitana e que já conhecemos desde a infância: não é com vinagre que seapanham moscas.

Parece que não nos enganámos, no entanto admitimos que toda esta nossa prosa poderá ir por água abaixo setal pedido tiver sido construído por palavras meramente circunstanciais...custa a acreditar, mas... vá lásaber-se.

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publicado às 14:40

CORO DAS VELHAS - SÉRGIO GODINHO

por neves, aj, em 30.07.07
ESNIPS
SÉRGIO GODINHO
(ligar o som)

CORO DAS VELHAS 
Sérgio Godinho e Zeca Baleiro

Ia eu pelo concelho de Caminha
quando vi sentada ao sol uma velhinha
curioso, uma conversa entabulei
como se diz nuns romances que eu cá sei

Chamo-me Adozinha, disse, e tenho já
os meus 84 anos, feitos há
mês e meio, se a memória não me falha
mas inda vou durar uns anos, Deus me valha

Com esta da austeridade, meu senhor
nem sequer dá para ir desta pra melhor
os funerais estão por um preço do outro mundo
dá pra desistir de ser um moribundo

Rabugenta, eu? Não senhor
eu hei-de ir desta pra melhor
mas falo pelos que cá deixo
não é por mim que eu me queixo

Ó Felisbela, ó Felismina
ó Adelaide, ó Amelinha
ó Maria Berta, ó Zulmirinha
vamos cantar o coro das velhas?

Cá se vai andando
c'o a cabeça entre as orelhas

Não sei ler nem escrever mas não me ralo
alguns há que até a caneta lhes faz calo
é só assinar despachos e decretos
p'ra nos dar a ler a nós, analfabetos

E saúde, eu tenho p'ra dar e vender
não preciso de um ministro para ter
tudo o que ele anda a ver se me pode dar
pode ir ele p'ro hospital em meu lugar

E quanto a apertar cinto, sinto muito
Filosofem os que sabem lá do assunto
Mas com esta cinturinha tão delgada
Inda posso ser de muitos namorada

Rabugenta, eu? Não senhor
eu hei-de ir desta pra melhor
mas falo pelos que cá deixo
não é por mim que eu me queixo

Ó Felisbela, ó Felismina
ó Adelaide, ó Amelinha
ó Maria Berta, ó Zulmirinha
vamos cantar o coro das velhas?

Cá se vai andando
c'o a cabeça entre as orelhas

E se a morte mafarrica, mesmo assim
me apartar das outras velhas, logo a mim
digo ao diabo, não te temo, ó camafeu
conheci piores infernos do que o teu

Rabugenta, eu? Não senhor
eu hei-de ir desta pra melhor
mas falo pelos que cá deixo
não é por mim que eu me queixo

Ó Felisbela, ó Felismina
ó Adelaide, ó Amelinha
ó Maria Berta, ó Zulmirinha
vamos cantar o coro das velhas?

ESNIPS
SÉRGIO GODINHO

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publicado às 10:09

Faz frio

por neves, aj, em 30.07.07

CLICARFaz frio em S. Paulo.
Bastante em relação àquele que eu havia experimentado até agora por estasterras tropicais, mas afinal estamos no Inverno.
Dizem que as máximas são asmais baixas registadas desde 1991.
De vez os cépticos se convençam que noBrasil não se registam unicamente temperaturas altas: o Sul e o Sudeste (S.Paulo) do país têm invernos, apesar de que estes que sinto agora na pele comparados àqueles aque eu estava habituado são pêra doce.
Não estou descontente, até dá para matar saudades do vento cortante dasbeiras. No entanto, outro dia
sentifrio, muito frio... devia estar fragilizado,talvez.
Hoje já estou em forma e até parece que a coisa vai mudar: o Soltrespassando as vidraças aquece-me o rosto.
Bem vindo Sol.

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publicado às 09:16

Vergonhas e monstros

por neves, aj, em 30.07.07

(a propósitodos  monstros vergonhosos que separam os povos viajo a Santa Comba, façoescala em Berlim, dou um salto à Faixa de Gaza e à fronteira EUA-México, e,finalmente, lanço desejo naTríplice Fronteira)

CLICARHá muitosanos, era eu uma criança, no entanto criança com mais de um palmo e meio vistoque já sabia juntar as letras e as sílabas, o meu vizinho do lado, senhorJosé de Almeida, escreveu no jornal Defesa da Beira: "... em Berlim, existeo Muro da Vergonha, no Outeirinho a Vergonha do Muro."
A vida, otempo, não permitiu que o meu vizinho visse cair a vergonha de Berlim (
1989),mas a sensibilidade e a irreverência que escreveu naquela altura, há mais de40 anos, aplica-se ainda hoje... basta substituirmos as designações. A propósitodo Muro do Outeirinho devo alertar que não posso precisar se o meu vizinho sr.Almeida se referia ao muro que me recebeu logo após eu ver a luz do Sol pelaprimeira vez se àquele que nasceu no seu lugar e que poderia ser alvo deeventuais críticas. Pouco interessará por agora, o que conta é a voz deprotesto.
No entanto, aofalar do muro e da contribuição dada pelo meu vizinho vejo-me agora obrigado afazer rápida viagem ao passado e a recordar (assinalando) a boa vontade do vizinhoda frente, senhor José Branquinho, que contribuiu também para que oOuteirinho se alindasse e, acima de tudo, se tornasse mais seguro para os seusresidentes... especialmente para as crianças que como eu eram constante fonte depreocupação se saíssemos fora do olhar de nossas mães. Eu, criança com otal palmo e meio, vi cair então o muro torto, bojudo e inseguro que,do outro lado e mesmo em frente de minha casa partia no sentido do Largo doOuteirinho. No seu lugar, melhor dizendo umas boas dezenas de centímetros mais para dentroda Quinta do sr. Branquinho,  cresceu outro, mais firme (talvez menosestético) em que o intervaloentre pedras já não era preenchido com barro e sim com argamassa de areia ecimento. Registe-se que nesta empreitada se aproveitou para esventrar a Rua, emfrente a minha casa até teve que ser a tiro, colocando-se então o esgoto domésticoe de águas pluviais e se tal vem aqui a lume é que naquele tempo de qualidadesde vida arredias tais direitos eram considerados luxo. Vem ainda a propósitodizer que a rua em si foialcatifada de cima a baixo com cubos de granito o que até permitia um melhor desempenho nas nossasfuteboladas (feitas, claro, longe dos olhares punidores dos guardas republicanose dos fiscais da câmara) e o Largo foi contemplado com um muro mais bonito e mais alto,também maistranquilizador do coração de nossas mães, e que agora há bem pouco tempoaté ficouainda
mais alindado com azulejos em painel.

Bom... mas onosso negócio são outros muros, apesar de que tão longadissertação teve o condão de me fazer viajar sem receio algumàs origens.


Este escritonasceu a propósito de foto, mais uma, publicada no portal uol e quenos retrata os trabalhos de construção de muro separador entre Israel ePalestina nas proximidades de Belém, curiosamente a cidade considerada berçode uma das mais difundidas filosofias ou ideologias, o Cristianismo, cujo tronco alimentadiversas religiões algumas delas muito difundidas e poderosíssimas como o Catolicismo. 

A referidafoto, que até abre esta entrada, fez então com que nos interrogássemos dasrazões de não haver contestação mundial. De não ser denunciada nasprimeiras páginas em letras bem gordas a VERGONHOSA CONSTRUÇÃO DE UM MONSTROEM PLENO SÉCULO XXI. De não se levantar um movimento universal e gritar MURONÃO OBRIGADO e/ou MURO JÁ BASTOU UM, O DE BERLIM, NÃO QUEREMOS MAIS NENHUM.Perante o silêncio de cada um de nós e, claro, das organizações, ele, o muro, lá vai sendoconstruindo sem pio, na Paz do Senhor e dos senhores,  sem estes senhores donos deste mundo mundano lhe chamaremrestritivo da liberdade, sem o ocidente o apelidar de cortina de ferro, debetão ou açoou de outro material qualquer... tudo em prol, dizem eles os mais poderosos, dasegurança deles dos mais poderosos que, curiosamente, são acobertados por outros ainda mais poderosos.

Aproveitando aboleia ou a carona, outrosmuros bem reais se vão construindo (outras separações existem, mas pelo menosnão tão descaradamente visíveis) e o mundo cala, continua calado... comoaquele erguido na fronteira entre México e EstadosUnidos da América de modo, dizem eles os mais poderosos, a combater amigração ilegal para país que, paradoxalmente, foi construído graças aomovimento migratório muito dele através dessa mesma fronteira agora tapada eque na altura não interessava se legal ou não. 

Outro muroestaria para aqui ser chamado... mas não o é já que acreditamos na palavra doPresidente Lula da Silva quando instado a comentar a construção de um polémicomuro entre o Brasil e o Paraguai de modo a combater o contrabando demercadorias: ''Muro não vai ter. Muro, chega o de Berlim, chega o do México,agora, com os Estados Unidos, chega o da Faixa de Gaza'', disse. ''Nãoqueremos muro.''

Nós tambémnão, Senhor Presidente. 
Nós também não queremos muro em lado algumSENHORES PRESIDENTESDE TODO O MUNDO. 

(ergue-te ócidade sem muros nemameias...)

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publicado às 07:47




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