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Lisboa menina e moça

por neves, aj, em 10.08.07
LISBOA MENINA E MOÇA
Carlos do Carmo

No castelo, ponho um cotovelo
Em Alfama, descanso o olhar
E assim desfaz-se o novelo
De azul e mar
À ribeira encosto a cabeça
A almofada, na cama do Tejo
Com lençóis bordados à pressa
Na cambraia de um beijo

Lisboa menina e moça, menina
Da luz que meus olhos vêem tão pura
Teus seios são as colinas, varina
Pregão que me traz à porta, ternura
Cidade a ponto luz bordada
Toalha à beira mar estendida
Lisboa menina e moça, amada
Cidade mulher da minha vida

No terreiro eu passo por ti
Mas da graça eu vejo-te nua
Quando um pombo te olha, sorri
És mulher da rua
E no bairro mais alto do sonho
Ponho o fado que soube inventar
Aguardente de vida e medronho
Que me faz cantar

Lisboa menina e moça, menina...."

 

 

 

 

 

 

 

OUVIR

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publicado às 23:20

Uma história de João de Jesus

por neves, aj, em 10.08.07

Umdia de pesca dolorosamente reconfortante

Notaintrodutória feita por nós, Voz do Seven:
Photobucket - Video and Image HostingO amigo João regressou às nossaspáginas e com uma história ou crónica que tem como pano de fundo um dos seuspassatempos favoritos: a pesca desportiva. No entanto, o destino cruel, mas reconfortanteacrescentamos e após a leitura do texto percebereis porquê, quis que a sua amada pesca lhe fizesse reviver momentodoloroso em que foi testemunha da morte de dois seus camaradas de armas nessaguerra estúpida lá nos cus de judas em África. Embora a cenadramática a que se refere não se tenha passado na mata nem contra o inimigohabitual, antes sim entre irmãos, este é um dos episódios que muito servepara nos elucidar sobre o estado psíquico dos nossos jovens de entãopreparados para morrer ou matar em autêntica lavagem cerebral por generaisque se enchiam de dinheiro e honras a mando dos senhores da guerra comodamentesentados nas poltronas em Lisboa. As tensões, imaginamos, seriam enormes equalquer momento mais propício seria aproveitado de imediato, cremos,para as descarregar. 

Paradoxalmentepoderia este episódio servir de tese ao quenos era dito, em puro branqueamento de uma guerra horrenda, a nós mais novos e futuros combatentes de que a maioria das mortes eestropiações dos nossos jovens militares eram provocadas por acidentes ebrincadeiras... tenhamos em atenção caros amigos que em situação de paze calmaria esses acidentes e brincadeiras jamais aconteceriam e, mais,esses acidentes e brincadeiras seriam afinal o produto de uma preparaçãobélico-militar rígida e disciplinada, muitas vezes presunçosa e administradacom ajuda de baratas filosofias (rácico-nacionalistas no caso), que conseguiaadulterar a personalidade tornando o indivíduo numa máquina agressiva econdicionada pronta a reagir logo de imediato ao estímulo (simples provocaçãopoderia bastar), viesse de onde viesse esse estímulo. 

Em mensagem quenos enviou, o amigo João diz-nos que "não me senti vocacionado para descrever em pormenor os tristes acontecimentos passados nas artérias de Bissau, nessa tarde/noite fatídica. Porém tomei a liberdade de te enviar um extracto que retirei do livroGADAMAEL, da autoria do colega pára-quedista Carmo Vicente, que tal como eu, viveu intensamente essesacontecimentos"... nós compreendemos, compreendemos muito bem o amigo João já que não é fácilfalar de momentos que desejávamos nunca terem acontecido ou que nossos sentidos jamais setivessem apercebido,mas como ele diz mais à frente "nada pode apagar". Nada nem ninguém,acrescentamos nós, mas pensamos que botar cá para fora esses horrores farábem ao espírito de todos, principalmente aos que os viveram e presenciaram, aosfamiliares dos que não regressaram por si e também aos jovens da minha idade e aos de agora para não se deixarem enrolarnas falinhas mansas branqueadoras de uma guerra dita patriótica e formadora decaracteres, como a de que a ida a Angola ou à Guiné faria cada um de nós umhomem. A Guerra Colonial foi uma coisa muito séria, horrenda, matou eestropiou, bastante, dezenas de milhar de jovens, de ambas as partes nãoesqueçamos, desfez lares, fabricou viúvas e órfãos, em suma deixou um rastrosangrento e doloroso que é necessário mostrar para não cair no esquecimento,fazendo de conta que nada aconteceu. Rastro que inexplicavelmente os nossos historiadores teimam em não relatar de modo bem claro e sem rodeios à semelhançade outras passagens da nossa História... que nos sirvam por enquanto estas históriasvivenciais como aque o amigo João nos relata.

No final destanota que abusou na extensão, tal como testamento ou discurso de Fidel, deixamos então a ligação a Umdia de pesca dolorosamente reconfortantecom oaviso de que no final do texto encontrareis ligação (link) a umdocumento PowerPoint da nossa inteira responsabilidade e à revelia do nossoamigo João onde constarão as páginas do livro GADAMAEL que relatam o trágico acontecimento.

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publicado às 05:41




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