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José da Silva

por neves, aj, em 09.11.07

Photo Sharing and Video Hosting at PhotobucketNum ápice o planeta rodou e passados que são doze meses dou por mim em falha perante o homem chefe de família que me recebeu logo após a travessia transatlântica de há cinco anos. Tinha eu prometido numa antevisão a um Portugal vs Brasil em futebol de areia (de praia) que andava a tratar de arrumar o discernimento necessário para, em simples homenagem, colocar aqui em destaque o homem pai de minha mulher que no leito do hospital e em breve alocução no dia do seu aniversário, o último entre nós, dizia ter 85 anos de idade e 80 anos de Brasil. Verdade, já que o Zé da Silva, português de nascimento lá por terras da Beira Interior, em Sernancelhe, partiu um belo dia rumo a estas paragens onde eu agora me encontro ainda pela mão de sua mãe com apenas 5 anos de idade. Devia correr o ano de 1926 e passados que foram 80 anos, em Novembro do ano passado neste mesmo 9 que hoje se repete, o Zé da Silva completou a sua passagem pela vida terrena e encontrou a Paz, como na altura eu frisei.
Homem simples quanto o nome, José da Silva teve uma vida preenchidíssima, segundo me consta já que não era de muitas falas ou, talvez, pouco amigo de expor a sua vida. Assim me ensinou a vida dura, dizia. No entanto, a saca-rolhas, lá ia contando as suas aventuras, jamais as amorosas como a apresentação de foto do jovem garboso pudesse sugerir, antes sim as profissionais, as do dia-a-dia, como motorista de táxi ou camionista (caminhoneiro) por esse Brasil afora, chegando inclusive a assistir ao nascimento de Brasília a capital federal desta imensa República para onde transportava materiais.

Muito cedo ligado ao desporto, chegou a ser técnico de equipas de Futebol de Salão, a sua aposentadoria era preenchida pelo percorrer constante dos canais televisivos de desporto, esporte como por aqui se diz. Inquestionável torcedor da canarinha em toda e qualquer modalidade tinha naturalmente o carinho pelas selecções verde-rubras de um Portugal longínquo à distância de dezenas e dezenas de anos e que só a educação paternal lhe fazia ter em mente lembrando-lhe que a terra onde vira a luz do dia tinha sido outra. Compreensível essa paixão pela Selecção Brasileira e pelo Brasil onde fez toda a sua vida. Mas o grande amor do Zé da Silva era o São Paulo FC. Futebolisticamente falando, claro, já que como homem viúvo dava agora toda a atenção do mundo à sua cachorrinha, essa mesma que está aqui a meu lado, a "minha Piruças", e que actualmente nos faz companhia pagando-lhe nós com todo o carinho do mundo. Esse amor ao tricolor paulista era tão grande que apesar da idade fugia à conversa se por ventura o desaire acontecia. Como bom militante tratava também de recrutar os novatos e vem a talhe de foice a sua tentativa para comigo presenteando-me logo após a minha chegada com um roupão branco com o emblema do seu time... só que a minha simpatia nunca esteve para lá virada, já admirava o Santos de Pelé e, bolas, tinha também a Portuguesa de Desportos para apoiar... que ele naturalmente também defendia, mas saibam os estimados que a Lusa por aqui em S. Paulo é como que a minha Académica em Portugal, é equipa sem êxitos sonantes mas é o maior time segunda opção.

Dos cinco anos convividos com o Zé da Silva finalizo com aqueles momentos em que eu lhe dava um pouco do Portugal que afinal nunca conheceu e que lhe traziam igualmente à memória o caldo verde que a mãe fazia ou o arroz com frango misturado. Dizia ele que ao fim de velho tinha voltado à comida portuguesa... nada mau, seu Zé, principalmente o leite creme, não? No Natal retomou ainda o hábito do bacalhau e de beber um copo de Dão, festa é festa ora, acompanhando umas castanhas cozidas ou assadas, curiosamente importadas da Sernancelhe que o viu nascer... era como eu lhe dizia uma saborosa forma de voar às origens!

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publicado às 18:37




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