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Fidel renuncia

por neves, aj, em 21.02.08

PhotobucketForam quase 50 anos à frente dos destinos de Cuba. Para o ocidente americanizado Fidel Castro é considerado um ditador, afinal é a maior pedra jamais conhecida nos sapatos de Tio Sam. A proibição de liberdade de expressão, a prisão de opositores e o não cumprimento de direitos humanos serão provas irrefutáveis, apesar de que já é comum isso acontecer em democracia. De forma bem subtil, claro, sem prisão mas com a boca incómoda a ser silenciada por não a deixarem ter oportunidades: arrumada a um canto pura e simplesmente. Certamente que vós sabereis do que falamos.
Os radicais anti-castristas dirão que não adianta colocar paninhos quentes na sua governação: se governa sem liberdade então governa em ditadura. Admitamo-lo. Admitamos ainda que tal como numa gravidez (em que não há meia gravidez, ou se está grávida ou não se está) também não poderemos considerar graus dentro da ditadura: ou é ou não é, não podendo nós eleger ditaduras boas nem umas piores ou mais brandas que outras. Seja em que ditadura for, note-se bem, mesmo que essa ditadura nos toque sobremaneira. No entanto, se obrigassem o comum mortal a escolher um pedaço de terra num mundo irreal repartido e governado por Fidel, Mussolini, Saddam, Pinochet, Ceausescu, Hitler, Estaline, Somoza, Shuarto, Franco, Salazar e quejandos, cremos que muitos desses mortais não se importariam de optar (seria o mal menor) por aquele pedaço de terra que não apresenta analfabetismo entre a sua população, que quase conseguiu erradicar a miséria, que igualmente quase erradicou a habitação favelada sem condições mínimas de habitabilidade e possui uma das medicinas mais evoluídas com alguns índices medidores da saúde bem próprios de países chamados de "primeiro mundo" (baixa mortalidade infantil e elevada esperança de vida, são exemplos). E, registe-se, tudo isto conseguido sob o peso de um boicote ou embargo ditatorial e desumano imposto pelo seu gigantesco vizinho que vive a escassos 120 quilómetros, a menos de um minuto de distância dos rápidos caças e poderosos bombardeiros, e que acima de tudo possui uma máquina infernal de propaganda capaz de lavar a cabeça ao mais renitente dos teimosos.

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O ditador abdicou. Uma nova era se estabelecerá em Cuba, lemos nós, mas também lemos que não será tão depressa, pelo menos só será após a era Bush ou seja quando a presidência americana for mais aberta, mais liberal, mais humanizada.
Fidel Castro abdicou. Após resistir a mais de seis centenas de atentados, a sua saúde (ou falta dela) assim o determinou. Possivelmente se aproximará o fim, mas mesmo quando a sua parte física desaparecer ficará ainda o revolucionário que em 1959 libertou o Povo Cubano de uma ditadura corrupta e repressiva comandada por Fulgêncio Baptista sob o beneplácito dos Estados Unidos e ficará igualmente o obstinado que será lembrado nos anais como a maior das bandeiras da resistência ao império americano.

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publicado às 11:24




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