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O Acordo do Desacordo

por neves, aj, em 17.05.08

[Apesar de considerarmos (esta mania de escrevermos na 1ª pessoa do plural vai dar-nos água pela barba) que políticos deveriam apenas politicar, também nos parece que os chamados intelectuais acordaram tarde demais e aqueles que tão dire(c)tamente deveriam estar empenhados na defesa da Língua, os professores, parece que nem se preocuparam]

CLICARTítulo do dia: a Assembleia (ex-Assembléia) da República Portuguesa aprovou o acordo ortográfico.
Não sabemos se os incrédulos
creem no que leem acima, mas juramos que foi o que encontramos (adaptem-se ó lusos) no portal UOL em incursão tão rápida quanto voo (ex-vôo) de caça que até nos provocou enjoo.
A
ideia (ex-idéia) heroica (cremos que leva cacetada dos dois lados) de unificar há muito que pairava no ar, mas sinceramente que nós, pessoalmente, nos encontramos mais divididos e não sabemos se nos vamos conseguir adaptar (este p sobrevive). Não nos interessa saber se quem venceu foi a caipirinha ou o tinto, a chouriça ou a linguiça (ex-lingüiça) ou mesmo se houve empate técnico (porque se lê, o c sobrevive) a verdade é que existem mudanças tão radicais no nosso português que não sabemos se as vamos ado(p)tar (este mergulha nas profundezas do Atlântico). Bom, mas é também verdade que os brasileiros se queixam do assassinato do trema (¨) que como lemos em algures dá (dava) um toque diferente, sui generis, ao português escrito por aqui e do desaparecimento dos acentos circunflexo e agudo em algumas palavras como já fizemos questão de apontar acima.
O que não temos apontado, aliás o que temos evitado nesta escrita rebuscada de palavras apropriadas para mostrar algumas das alterações é o uso da primeira pessoa do plural do pretérito perfeito dos verbos terminados em ar (primeira conjugação como no nosso tempo escolar se chamava) que Voz do Seven tanto adora (ou adorava?) empregar. E porquê, perguntarão vocês aí. Nem sabeis o que vos espera caros patrícios. Fiquem-se com esta:

Nós no Voz do Seven adoramos a Ivete Sangalo

Qual será mesmo a nossa opinião?
Apesar de poder parecer, lembrai-vos que nem tudo é o que parece, porque na altura do "cansei Lula" todo e qualquer texto [e fotos] relacionados com Ivete, foram apagados do Voz exce
(p)to, claro, aquele em que fizemos o anúncio de que ia ser banida das nossas páginas. Ivete caiu em desgraça aqui no Voz. Nós adorámos, na verdade, mas hoje já não adoramos. Fizemo-nos entender? Adorámos passará a ser erro e assim teremos o presente a confundir-se com o passado ou vice-versa. Confusos? Será difícil de distinguir? Para nós lusos pensamos (presente) que é, para um brasileiro não o será já que está habituado.
Quanto a nós foi concessão pior que frango de goleiro.
Mas há mais, principalmente nesta questão do acento no a (á). Reparem neste exemplo: Rubinho Barrichelo
para para trocar de pneus. Não sabemos se o mesmo se passará com por por exemplo, mas dos dois lados do Atlântico o pára de parar desaparece para se confundir harmoniosamente [cremos que aqui o h se manterá ao contrário de em (h)úmido] com para preposicional e como dissemos não sabemos se o pôr também desaparece. Lindo de se ver para para, não? Ou, por por. Que tal? Livrem-nos de etiquetas como preconceituoso e etc, por favor, mas até parece uma língua gaga de escrita.  E consideramos nós que esta é mais uma concessão porque por aqui a entoação de para se parece mais com pára, aliás como a da conjunção mas com más, mas aqui sem confusão no acordo, só na nossa cabeça (ainda).

Os cês e os pês
PhotobucketAquela que é das mais célebres diferenças que distingue o português dos dois lados vai cair também por terra, mas aqui com confusão a dar com pau. Falamos dos nossos célebres c e p que não lemos, mas escrevemos e que na Escola Primária nos valeram umas valentes bolachadas. Em reda(c)ção, sele(c)ção, dire(c)ção ou a(c)to o c vai à vida, porque não se lê. Já fica em pacto, porque se lê, mas curiosamente não o lemos em facto e vai manter-se para não o confundirmos com o fato que por aqui é terno... é a habitual exce(p)ção que por si perde o p porque não se lê, assim como ó(p)timo o perderá. No entanto não sabemos se se manterá em optimizar já que há quem o leia com um cheirinho de p. Aproveitando a carona... e excepcional? Por aqui é assim escrito porque o p é lido, mas como nós não o lemos como vai ser? Vamos tirá-lo e ficar em desacordo agora no sentido inverso? Mais, provavelmente passaremos a escrever Egi(p)to e como é que vamos explicar a um moleque (espertalhaço) que egípcio é um natural do Egito? De onde vem o p perguntará ele se fizer jus ao que lhe adje(c)tivámos. E adje(c)tivo passa a ser substantivo sem c? Outra das confusões que se gerou na nossa mente está relacionada com recepção assim escrita em Portugal e no Brasil. Se em Portugal não se lê, o p provavelmente vai cair ou fica porque por aqui ele é lido? Idem aspas para contracepção. Novo desacordo? E quanto ao aspecto, o aspéquetu que nos diverte tanto em brincadeira com a "Maria"? O c cai na Lusitânia? Ou fica porque aqui se lê? Frangos demasiados a cheirar a escândalo se as coisas continuarem a serem vistas em óptica futebolística... e a propósito, óptico vai perder o p?  De relacionado com luz e visão passa a relacionar-se com ouvido (ótico)? Ou com os dois conforme virmos ou ouvirmos? (atenção que por aqui óptico admite a variante ótico que muito nos confundiu quando viemos nomeadamente em anúncios publicitários).
Resumindo: confusão demasiada. Não haja dúvida que este acordo só será bom para quem começar do zero. Bom, verdade seja dita que os portugueses têm 6 anos para se adaptarem enquanto por aqui já será em 2010 que as novas normas entrarão em vigor (mas que ninguém se preocupe porque as editoras brasileiras já devem ter tudo preparado principalmente as exportações viradas para os PALOP's e Timor Leste).
Pronto. Acabou. Mesmo no meio desta confusão que vos oferecemos esperamos que se consigam safar. Virem-se como por aqui se diz ou desenrasquem-se como por terras lusas é mais comum. O que interessa é assar a sardinha seja na brasa de carvão ou na chapa do grelhador. E se, caros amigos, se nos perguntarem se vamos escrever de acordo com o acordo do desacordo simplesmente nos refugiaremos como o condenado à morte que em último desejo pediu ao rei que lhe deixasse acabar de ensinar a ler um burrito que tinha lá em casa. O rei embalou na treta e anuiu. Perplexos, os amigos chamaram-lhe doido já que jamais conseguiria ensinar o burro a ler. Ele bonacheiramente retorquiu que entretanto morria o burro, ele próprio ou o rei... assim vamos fazer, deixar correr, depois logo se verá... entretanto continuaremos com a nossa "fala" que com ou sem cês e pês, com ou sem acentos ou crases, misturada com a da Maria lá vai dando para nos entendermos cá por casa e o acordo que se lixe, ou que se dane.

 

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