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Oração matinal

por neves, aj, em 11.09.08

(divagações em manhã nascida quente)

CLICAR PARA AMPLIARPela minha honra prometo hoje dedicar alguns momentos do meu pensamento às desgraças que grassam pelo mundo, comentar comigo mesmo o quão me sinto revoltado pelo sofrimento que me rodeia não só o desta criança da Etiópia em fase adiantada de desnutrição e que tem o corpo coberto de faixas humedecidas para combater a alta febre, como também de todas as outras por esse mundo afora que co-habitam com a fome, a doença e a guerra. Arrependido por nada ter vindo a fazer em prol de um mundo mais justo, mais tolerante e mais equilibrado rogo agora, em verdadeiro acto de contrição, aos deuses donos deste mundo que nos livrem de todos os males exigindo então que transformem os dinheiros de armas e bombas em pão, remédios e habitação.
Amén.

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publicado às 19:17

O culto do corpo

por neves, aj, em 11.09.08

quem é Lara Guina

A opinião de LARA GUINA

O culto do corpo


PhotobucketQuase todos os dias aparecem na imprensa cor-de-rosa as figuras públicas que acabaram de ser mães - sejam elas actrizes, modelos, só famosas «porque sim» ou até apresentadoras de televisão, como é o caso da Cristina Ferreira. À fotografia desfocada, tirada à socapa, à saída da maternidade, segue-se, passado pouco tempo, o mínimo possível, a fotografia que marca o regresso à vida pública e mostra, invariavelmente, uma fantástica forma física e uma silhueta invejável. Numa sociedade onde o ideal de beleza passa pela magreza extrema, esperar seis meses a um ano para voltar a ser o que se era antes de engravidar (período considerado necessário pelos especialistas) parece uma eternidade para um número crescente de mães. Toda a gente pergunta quantos quilos se ganhou, quantos quilos já se perdeu e toda a gente lê revistas. E a frustração aumenta quando se têm como modelos as tais estrelas de cinema que conseguem ostentar aquele «corpinho» duas ou três semanas após o parto.
Acontece que, na vida real, é impossível recuperar num abrir e fechar de olhos - partindo do princípio de que é irreal para quase toda a gente passar todos os dias horas a fio num ginásio, pagar tratamentos sofisticados em centros de estética e o acompanhamento de um nutricionista ou fazer cirurgias plásticas para pôr rapidamente «tudo no sítio». A oferta de clínicas e de ginásios é grande e a publicidade é feita por figuras públicas recém-mães já praticamente elegantes, o que acaba também por ser um factor de pressão para as outras recém-mães que não têm meios financeiros para recorrerem a esse tipo de serviços.
A pressão social e cultural a que o culto da magreza dá origem já é bem conhecida das mulheres muito antes da gravidez, mas as alterações que o «estado de graça» implica tornam este um período crítico que pode fazer surgir problemas latentes. Não é isso que, só por si, desencadeia um distúrbio psicológico, mas é um factor que ajuda a agravar problemas. Estas mulheres olham-se ao espelho e vêem-se muito mais gordas do que estão. O obstetra até pode considerar que o aumento de peso está dentro da normalidade, mas estas mulheres têm formas de pensamento distorcidas, catastrofizam a realidade, pensam em termos de tudo ou nada - ou sou muito desejável ou não sou nada - e só vêem os aspectos negativos da maternidade.
Pode dizer-se que a preocupação com o peso, com o corpo, se torna patológica a partir do momento em que começa a absorver a maior parte do tempo, energia e atenção da mãe. Se a mãe só se preocupa em perder mais um quilo, a cada dia que passa, em não comer isto ou aquilo, se passa mais tempo no ginásio do que com o bebé, se estas preocupações absorvem a maior parte do seu investimento e vive em função da perda de peso, então alguma coisa não está bem.
Nestes casos, o grande passo é admitir que se tem um problema que é difícil, ou impossível, de resolver sozinha. Para se poder avançar para um processo terapêutico que possa ajudar estas mães, é preciso que ela tome consciência do problema, é preciso que pare e consiga analisar o que está a passar-se consigo. Escusado será dizer que a saúde do bebé também está em causa pois ela também depende da relação com a mãe. Também por ele, vale a pena procurar ajuda.
 

Lara Guina
Psicóloga Clínica

http://laraguina-psicologa.blogspot.com/

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publicado às 14:51




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