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Pinguinzões

por neves, aj, em 27.04.09

[elogio aos nossos pinguinzinhos (ESCOLAS) feito por observador isento e em rescaldo ao Académico de Viseu versus O Pinguinzinho disputado no Sábado dia 18 de Abril desafio respeitante à 1ª Jornada da derradeira fase que apura o campeão distrital e que terminou, como os leitores de Voz do Seven sabem, com umaespectacular vitória dos moços de Santa Comba Dão]

Pinguinzinhos? Qual quê! Quando a bola rola são PINGUINZÕES ou Pinguins Imperiais.
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O espectador, também redactor de blogue, é pai de atleta de uma das equipas participantes no Campeonato, o Dínamo da Estação (de Viseu), e na entrada dedicada aos jovens santacombadenses não se cansa de elogiar a Equipa de Escolas d'O Pinguinzinho:
- Os Pinguinzinhos são mesmo uma equipazona -quase diria– especial, que sabe com mestria mesclar o excepcional virtuosismo individual de vários jogadores (entre outros, os dois médios ala) envolvido num VERDADEIRO jogo do COLECTIVO.
Apresentam um futebol muito maduro, julgo que muitos dos miúdos já estão em 2º ano de competição, que jogam juntos há muitos anos, notando-se que “vestem e suam a camisola”.

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embelezando ainda a dita entrada  com dois cartunes deveras elucidativos (também engraçados) que retratam com mestria o que se teria passado no encontro entre academistas e pinguinzinhos: à apresentação de se7e pequenos pinguins timidamente alinhados (mas com uma vontade enorme de vencer) contrapõe com um pinguinzão, soberbo e enorme pinguim imperial, olhando de cima para baixo o seu adversário timidamente representado por pequeno emblema, tamanhas teriam sido então as diferenças verificadas durante a partida.

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publicado às 21:36

Abril e a Guerra Colonial

por neves, aj, em 27.04.09

Porque cada vez mais se nota o branqueamento de uma suja guerra que aconteceu, redige-se com a atenção virada para a juventude do meu país, em particular para a da minha terra, para os jovens que acham interessante o Estado Novo (palavras ouvidas) e que até sentem algum orgulho por Salazar ser um homem da terra. Que assim seja e que até seja lembrado como o homem que deixou os "cofres cheios de ouro" (ouro que se sabe hoje ser em grande parte de anéis, fios e pulseiras de prisioneiros judeus e que foi forma de pagamento do volfrâmio saído para a Alemanha), mas que não caia no esquecimento que Oliveira Salazar foi também governante que enviou carne p'ra canhão para Angola, Moçambique e Guiné.

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Ela existiu e matou milhares e milhares de jovens de ambas as partes, portugueses e africanos, sendo que alguns já de genes miscigenados. Ela existiu e deixou marcas bem vincadas na sociedade portuguesa: à volta de 10 mil mortos e muitos mais milhares de jovens estropiados, muitos deles também mentalmente confusos... ainda hoje.
Graças a Abril não estive presente, mas ela não me passou ao lado já que durante 25 longos meses acompanhei a par e passo, em aerogramas escritos, o que se ia passando lá pelo Norte de Angola, às margens do Cuango. Claro que os meus 13 anos começaram desde logo a perceber que a verdade total não vinha escrita nessas cartas de uma folha só, porque do lado de cá, lá em casa, havia uma mãe permanentemente em dor que tinha obrigatoriamente de ser iludida para que a ausência do filho fosse mais suavizada. Ademais havia ainda eu, já em fila na linha de produção de homens p'ra Angola em força, já. De casa havia sempre a preocupação de seguirem notícias animadoras ou triviais, de modo a desanuviar o ambiente. Era eu o escriba.

Inexplicavelmente, ou talvez não, continuo assim a sentir necessidade de escrever sobre esta guerra, a Guerra Colonial que começou em 1961 e prolongou-se à Revolução dos Cravos:
- por a ter intensamente vivido, embora sem lá ter estado fisicamente, repito.
- por me ter livrado de ser morto (ou ficar mutilado) em defesa dos interesses de outros, de não sei quem (sim, verdade, porque isso dep'la Pátria Lutar era pura treta já que a independência de Portugal, por exemplo, jamais esteve em causa).
- por me ter livrado de hipoteticamente matar homens semelhantes a mim, que até podiam ser do meu sangue já que meu avô tinha prole por África, e que afinal só defendiam a terra que lhes pertencia de pleno direito.
- por achar que há fuga ao tema e que há sempre muito pouca literatura que mostre os horrores da guerra e os dramas, quer dos que foram quer dos que os viram partir.

Em 1997, em palavras que rimam redigi O Cravo, a minha primeira aventura sobre Abril e mais tarde Onde estavas no 25 de Abril, pá?, prosa real e verdadeira do dia 25 de Abril de 1974 guardada na minha memória, que mostram bem a maior preocupação dos jovens de então: a ida à tropa e consequentemente partida para as terras d' Além-mar. Já por aqui, por terras brasilenses, redigi em descarrego o que chamei de Ensaio sobre a Guerra Colonial, mas claro que não é ensaio algum já que não está nas minhas previsões fazer obra acerca... outros mais abalizados o fazem ou vão fazendo (há sempre tabus) sendo que leitura mais que obrigatória é o livro OS CUS DE JUDAS, da autoria de António Lobo Antunes, médico psiquiatra que fez 27 meses de comissão por terras do Leste de Angola, ficando no entanto o aviso de que não deve o leitor ser impressionável com palavras duras e cruas, lacerantes como punhais. À venda em qualquer (boa) livraria, não só em Portugal como no Brasil.
Leitura igualmente aconselhável, com o privilégio de poder ser usado também como consulta [aqui soldados que fizeram comissão na Guiné e cujos corpos não foram recuperados] é o blogueLuís Graça & Camaradas da Guiné que nos oferece testemunhos e troca de mensagens entre os que passaram pela dolorosa experiência.
Por último, uma leitura mais leve na forma de vídeos sobre a Guerra Colonial que o sítio oficial daADFA-Associação dos Deficientes das Forças Armadas nos oferece, lembrando nós que esta associação só existe pós-25 de Abril com o propósito de dignificar os que por este ou aquele motivo sofreram com os horrores da guerra.

A foto. A foto é colocada à revelia, mas espero ser perdoado. É velhinha, mas é bem real. Dela toma parte um amigo. Retrata momento de descontracção, de retemperar de forças debaixo de copa de frondosa árvore algures numa mata da ainda colónia portuguesa da Guiné Bissau. Provavelmentep'la bolanha. Estávamos ainda em plena Guerra Colonial, claro. São bem visíveis seis soldados fardados. Portugueses, tropas pára-quedistas. Enquanto dois deles estão aparentemente descontraídos, fumando e alimentando-se (apesar da pistola em punho), os outros quatro estão atentos aos movimentos. Vigiam quatro homens, de costas, tapados por cobertores, homens como eles só que pertencentes "ao outro lado" e que tinham acabado de ser feitos prisioneiros. Era a guerra, afinal.

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publicado às 14:46




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