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Menina dos olhos tristes

por neves, aj, em 28.06.10

... porque estamos em África e África é muito mais que Mundial de Futebol.

Não vou dizer que foi por acaso que encontrei este vídeo onde é cantado [creio que por Adriano Correia de Oliveira] o poema Menina dos Olhos Tristes de Reinaldo Ferreira, mas garanto-vos que não andei à caça dele: um vídeo da Trova do Vento que Passa caiu-me nos braços e, navegando, continuei a deleitar-me com outras canções/vídeo interpretadas por Adriano [que mais poderia eu desejar no início deste dia que promete, que nasceu ameno e radioso de Verão?] e as imagens de um deles [deste que vos ofereço abaixo] levaram-me a pensar que muito do pessoal que anda agora embrenhado com África e a sua Copa certamente que desconhece [e a fatia que conhece, talvez ande distraída] a morte e a mutilação de milhares de jovens combatentes numa guerra desnecessária, a dor e o sofrimento de outros mais milhares, de mães e esposas ou namoradas, de pais e irmãos, de filhos também. De ambas as partes em confronto, note-se bem, muito bem, não nos podemos esquecer deles, dos povos invadidos, e creio não ser necessário lembrar aos intolerantes, aos nacionalsaudosistas defensores da trilogia Deus Pátria Família, crentes, claro, que para um deus qualquer, os apelidados terroristas, afinal os colonizados africanos que lutavam pela independência da sua terra, teriam que forçosamente ser tão humanos, tão de carne e osso como nós, os descobridores [e invasores] europeus.

Voz do Seven in sapo.pt

Não estranheis o que vos digo nem o modo como exponho a minha revolta contra esta guerra absurda alimentada pela obsessão de um sistema já caquético, inimigo do seu povo, invejoso da juventude do seu povo. Provavelmente as palavras que uso até poderão dar a ideia de que são brotadas da boca de homem colonizado, oprimido, que esteve do outro lado da barricada, mas sabeis muito bem que não, que até estava deste lado, na linha de produção de ir p'ra Angola em força já [embora nove anos atrás de meu irmão], lutar, matar talvez, ser morto, quem sabe. Embora naquela altura, aos vinte anos de idade, essas consequências não me atormentassem [não me poderiam atormentar] hoje o que me atormenta é o hipotético cenário de ser morto por um primo meu, neto de meu avô que nos anos 30 do século passado rumou a Angola, ou, muito mais terrível para o meu entendimento, ser eu a feri-lo de morte e olhar com indiferença para o seu corpo sem me interrogar sequer se na poça de sangue que o envolvesse nadariam genes que eu também carrego nas veias. É, caros amigos e amigas, que ardam no inferno da memória dos homens de bem todos aqueles que fazem as guerras, que partem em defesa delas ou que as tentam lavar, mui em especial a Guerra Colonial Portuguesa.

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