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Figueira da Foz

por neves, aj, em 16.10.07

IR PARA FIGUEIRA DA FOZ, FOTOSO Algarve jáexistia no tempo da minha infância e adolescência. E apesar de também jáexistirem ingleses, ainda não o tinham descoberto.
Lembro-me de ver oAlgarve cá em baixo ao fundo do mapa em forma de rectângulo onde a altura seriaaí umas duas vezes maior que a outra dimensão. Naqueles tempos Portugalera assim para nós, um mapa pendurado na parede da sala de aula com muitaslinhas azuis a simbolizar os rios e vários tons de cor que identificavam aforma do relevo: a leste e a norte acastanhado para nos lembrar as montanhas edo lado esquerdo e pra baixo as lezírias e planícies em tons mais esverdeados.No mapa havia também, aqui e acolá, umas bandeirinhas dos dois irmãosibéricos entrelaçadas em V quase todas referenciando vitória, claro, napancadaria que durante séculos nos uniu hermanamente, e existiam aindauns traços negros que se referiam às linhas férreas e que, orgulhosamentecomo nos era dito, percorriam Portugal de Norte a Sul e de Leste a Oeste.Obrigavam-nos a sabê-las de cor e salteado, onde nasciam e desaguavam(como se o sentido nos interessasse), quais asestações e apeadeiros por onde passavam e as confluências ou entroncamentosque tinham, mas a maior parte de nós não sabiao que era isso de andar de comboio ou trem como por aqui é identificado. Antesera assim, quase não saíamos do mesmo lugar, estávamos como que colados,grudados à santa terrinha. É verdade meninos e meninas das novas gerações...é que naquele tempo as Escolas não organizavam viagens de estudo e viajar ou gozarférias eram expressões desconhecidas no burgo. Verdade seja dita que, eorgulhosamente o digo, usufruíamos do enorme poder de puxar pela imaginação,que hoje e em verdade novamente vos digo e sem querer menosprezar quem quer queseja, anda um pouco arredia das mentes a que a evolução tecnológica quasetudo oferece.

E éesta imaginação que o passado me obrigou a cultivar, talvez, a culpada de andar por aqui às voltas para vos falar umpouquinho daFigueira da Foz, a cidade que apadrinha a chegada das águas do Mondego aoAtlântico que agora nos separa. Poderá parecer absurdo começar pelo Sul dePortugal para chegar até aqui, mas nestes tempos modernos em que há a mania derumar ao Algarve para falar de praia e mar só queremos lembrar que naqueletempo já existia mar e praia cá para cima. Diria mais: aí aos 15 anos eu tivea certeza absoluta que existia mar... na Figueira da Foz, a chamada Rainha dasPraias Portuguesas que todos os anos era apajeada por Miss e está eternizada por poemacantado. Cá para mim,a Figueira da Foz ainda era mais que soberana, era aprimeira de todas elas... e única, convenhamos.

A homenagem àFigueira, escrita em óbvio direccionamento aos fiéis que a amam, está feita. Sirvam-se agora do que chegou até nós e vivam, porque também se viverecordando.

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publicado às 09:40


1 comentário

De Alípio Calisto a 18.10.2007 às 15:49

Esta... mexe comigo...! e de que maneira!!!. Ainda hoje, quando faço a viagem Leiria-Figueira e vislumbro a cidade lá ao fundo, fico extasiado. Aquela terra é, e será sempre, uma das minhas maiores paixões. A minha primeira recordação é a de uma queda que dei ao chegar que valeu uns quantos agrafes na cabeça, mas foi o começo de muitos anos felizes que se seguiram. Levado pela minha mãe, lá ficava toda a época balnear, tratado como um principezinho. Ali eu percebia a diferença entre quem vivia razoávelmente e quem lutava para sobreviver. Regressava bem nutrido com as bananas, a manteiga, a carne... com que a minha saudosa tia me alimentava. Eram coisas boas demais para a época. Em minha casa... nem em dia de festa!!! Era realmente um luxo.
Já adulto, foi sempre a minha praia de eleição para os quinze diazitos anuais, e foram muitos. A viagem que fiz pela Figueira através do "www.esnips.com" foi simplesmente deliciosa. A música... recordou-me (melhor) outros tempos, e se não fosses tu, jamais me lembraria dela. Acho, até, que vou dormir melhor. Por tudo isto, não me resta mais nada, senão agradecer-te. Obrigado por me teres «devolvido» a Roménia tão bem acompanhada, e pela referência (não era preciso).
Mais um grande abraço e beijo para a Andreia.
Alípio

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