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Reviver

por neves, aj, em 31.10.07

(alô camaradas do C.S.M. de 1966, Nova Lisboa, Angola)

Não andei por lá, felizmente (note-se bem), mas não me consegui livrar dela. Já vos contei que, apesar de distante das matas africanas, vivi intensamente durante dois anos e picos as incógnitas, angústias e medos de uma mãe que vira partir um filho seu lá para longe em algures perto de nenhures.
Era a triste sina da juventude portuguesa de então que manietada e amordaçada pelos interesses económicos e políticos de um sistema preso por arames partia em força lá para os Cus de Judas cantando e rindo com a alma destroçada... até ao meu regresso, diziam eles na hora da partida aos familiares e amigos.
Muitos desses jovens heróis regressaram envoltos pela Bandeira, embora mudos e quedos para todo o sempre deixando mães e viúvas em pranto e filhos órfãos que os conhecem apenas como aquele jovem garboso em camuflado retratado na fotografia amarelada pelo tempo e colocada no cantinho nostálgico do lar. Muitos mais deixaram partes de seu corpo algures na mata e regressaram tristes e cabisbaixos de alma mais destroçada quase sem vontade de viver perguntando-se se teria valido a pena e outros ainda regressaram fisicamente sãos e escorreitos, embora as suas almas (afectadas e mais tristes pelo que presenciaram) os interrogassem bem lá no íntimo se também teria valido a pena.
Fizeram-se amizades e creio que maiores que o mundo. Os sobreviventes costumam juntar-se em confraternização e, naturalmente, recordarem a sua passagem por essas terras distantes. Certamente que só falarão das coisas boas, que, dizem-me os amigos, também foram muitas, mas talvez também falem de companheiros e camaradas que, inexplicavelmente, agora se sentem doentes. A guerra é assim: a uns mata, a outros deixa sequelas graves que lhes amolentam o espírito tornando-o vulnerável.

Bom, depois desta dissertação feita quase sem reflexão antes sim por impulso natural mas que quer mostrar o meu respeito e admiração por todos os que foram obrigados a combater na Guerra Colonial, atinjo o ponto que me levou a escrever esta entrada: é que chegou até à nossa caixa de correio a seguinte mensagem

Procuram-se antigos camaradas do C.S.M. de 1966, Nova Lisboa, Angola. Com o objectivo de reconstituir o puzzle da memória, queremos organizar um encontro de confraternização.

A palavra de ordem é: Reviver velhas amizades

Organizadores:
Simas e José Manuel Alves
1ª Companhia - 3º pelotão

Responda, dando o seu contacto, para: alves@expo-lusa.net ou tlm. 960 064 967

A divulgação está feita... passem palavra!

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publicado às 07:06


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