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Ignorantes

por neves, aj, em 26.04.08

PhotobucketApesar de continuar alérgico ao Cravo (ao vermelho nem tanto) o Presidente da República não teve pejo em chamar de ignorantes os jovens portugueses no que toca a conhecimentos sobre a Revolução dos Cravos acusando-os ainda de pautarem "pelo total alheamento relativamente ao que era viver num regime autoritário". Em verdade vos dizemos que temos de concordar com esta passagem dodiscurso do Prof. Cavaco Silva na sessão evocativa dos 34 anos do 25 de Abril de 1974 que decorreu na Assembleia da República, o Parlamento Português.
Quem nos lê atentamente (o que nem sempre será fácil, confessamos) sabe que em mais do que uma ocasião afirmámos que um dos nossos temores na sociedade portuguesa é um "regresso ao passado" por falta de esclarecimento da nossa juventude, embora tenhamos complementado que estaria sempre nas nossas mãos, mais velhos, evitá-lo. Já dissemos também que a nós pessoalmente não nos incomoda a exposição pública da gravata ou das botas de Salazar ou de outros que sustentaram aquele regime autoritário e o que temíamos era sim esse "deixa andar", a indiferença, dos nossos jovens que não buscam saber nada de nada do que antes se passou, nem sequer os acontecimentos a que essa gravata e essas botas poderiam ter assistido, acreditando piamente no que os falinhas mansas lhes dizem e alinhando no esquema porque é moda tanto que o mano mais influente do grupo (aquele que veste marcas é craque com as gajas sabe as últimas e todas as outras) também alinha.
No entanto não seremos tão duros de palavras quanto o PR já que o eternamente jovem que cada um transporta nos conta em segredo que esse alheamento da juventude é mais por nossa culpa, de nós mais velhos, e novamente repetimos o que já dissemos: é necessário nós, pais, Escola e sociedade, contar, contar o que os nossos pais nos revelaram e revelar o que sabemos, contar sem medo nem vergonha os nossos temores de então, o que vimos e aquilo de que nos apercebemos e ainda o que lemos sobre esses anos de ditadura que colocaram Portugal não na cauda mas fora da Europa... isto acreditando que o controlo ainda não esteja perdido, que os pais ainda não se tenham deixado embalar pelo embalo daqueles filhos que lhes dizem que agora os tempos são diferentes, que as ideologias acabaram e o make love era pura treta e que agora se faz guerra sim senhor se necessário para revelar o poder, que o que conta é atingir uma boa posição social e económica, o topo, ultrapassando tudo e todos não se questionando sequer se a manobra é mal intencionada, e os outros que se lixem.

Em complemento às palavras do Presidente da República e inspirados, se desejarem influenciados, porcomentário que lemos recentemente virá então bem a propósito recomendar ao Poder Local, no caso específico à nossa Autarquia de Santa Comba Dão, que em próximas comemorações da Revolução do 25 de Abril a Festa seja maior e mais específica, temática, que para além das apetecidas e indispensáveis actividades desportivas que outras estejam presentes: pintura, música, teatro... mas, note-se bem, que também as outras forças, políticas e associativas, não fiquem na indiferença e que em cooperação ou não com o executivo façam algo:

p'la memória, p'lo presente e p'lo futuro, p'lo 25 de Abril, Sempre, por Portugal!

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publicado às 08:43


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