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Ouvi dizer...

por neves, aj, em 10.01.07
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– Deus é branco, mainha...
– Disparate Zuza, Deus não tem cor... padre [não sei quantos] diz que Deusnão tem cor...

Não? Tem ounão tem? E religião? É homem ou mulher? Será criança? Terá etnia? Sofreráde doença?
Não procuropolémica, meus amigos e amigas, cinjo-me às palavras que ouço...
Analise...comente...

– Deus é branco, mainha...
– Disparate Zuza, Deus não tem cor... padre [não sei quantos] diz que Deusnão tem cor...

Assim começava, mais ou menos, um diálogo entre a escrava e a sua cria(como lhe chama o dono) em  episódio da telenovela Paixões Proibidas, quecomo já dissemos é uma co-produçãoentre a TV BANDeirantes e a RTP e que actualmente está a ser transmitida por aquele canal aberto de televisão brasileira. Abro parêntesispara esclarecer que não tenho por costume acompanhar a exibição da referidanovela e simplesmente vou captando algumas das falas que inevitavelmente ouço,apesar de estar quase de costas para a TV, visto que minhacompanheira é espectadora mais ou menos assídua enquanto eu prefiro meentreter por aqui nesta velha carcaça, ora lendo as notícias do dia oraengendrando uma hipotética entrada para o Voz ou até me divertindo numajogatana de canastra. Em vias do exposto fica então o alerta de que ascitações que faço podem não ser exactamente tal como foram ditas pelosprotagonistas...

Voltemos então à cena em que a escrava Rosália está a tratar dosferimentos de seu filho Zuza, após este ter sido espancado pelo patrão Joaquim.

– Deus é branco, mainha...
–Disparate Zuza, Deus não tem cor... padre [não sei quantos] diz que Deusnão tem cor...
– Mas, Deus não é negro, não... se fosse não deixava eu sercastigado...
– ...
– Se Deus fosse negro não havia escravatura...

Imediatamenteestanquei e toda a minha atenção se concentrou nestas palavras tão profundasque o argumentista ou novelista colocou na boca de uma criança e também imediatamentea minha memória foi buscar as palavras do PadreJúlio Lancelotti,da Pastoral do Povo da Rua

"Euacredito num Deus, e esse Deus é negro, é mulher, é criança e está comAids"

Apesar de queainda muita, muita coisa haverá a fazer, cremos que se transportássemos paraos dias de hoje o pequeno Zuza, ele ficaria um nadinha mais feliz com aspalavras de Júlio Lancelotti que simbolicamente (sabemos nós que um deus paraser Deus tem que ser imparcial) falou dos esquecidos, porque já vem sendo tempoque a justiça no mundo comece a vestir outras peles, vestir também a pele dosmarginalizados de modo a que a discriminação não exista mais.

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publicado às 09:51


1 comentário

De manuel. evangelista a 18.01.2007 às 08:56

Todo somos iguais independente da raça e cor, mas que a raça negra tem sido esquecida...tem.Não achas que pelo menos espiritualmente, não mereciam que a Senhora aparecesse em Africa?

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