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Euro 2008 - o cepo das marradas

por neves, aj, em 24.06.08

(quem gosta de me ler não lhe interessa se o livro é extenso... Ant. Lobo Antunes)

... previsível, demasiadamente previsível este ataque ao guarda-redes da Selecção Nacional Portuguesa feito com claras segundas intenções. Nós partimos em sua defesa, inevitavelmente, e no final exigimos a Ordem do Infante para Voz do Seven.

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Em futebol, quando a derrota acontece ele é muitas vezes o eleito para descarregar a fúria dos maus perdedores, porque, claro está, é o último entre a bola e a linha de golo, o último a ser batido. Dele tantas vezes se espera um milagre e se este acontece é idolatrado, mas se ele falha então passa de imediato de bestial a besta. Ingratidão.
Falamos, claro, do guarda-redes que por terras brasileiras é chamado de goleiro.
Apesar de não nos considerarmos velhos já temos Novembros suficientes que nos permitiram conhecer grandes guarda-redes que deixaram o nome escrito a letras de ouro nos relvados (gramados) por esse mundo afora, mas temos igualmente memória suficiente para recordar que todos eles, TODOS, os considerados bons guarda-redes, deram o seu frango (gíria futebolística para designar aquela bola que entra, mas que até criança defenderia) sendo que algumas destas "facilidades" comprometeram seriamente as pretensões das equipas que defendiam, de tal ordem que os tais frangos jamais sairão dos livros de história da bola e da mente de quem assistiu... como aquele galináceo entre as pernas de Costa Pereira, que naquela noite chuvosa de 1965 em San Siro, Milão, nos levou a nós criança a caminho dos 10 anos e entusiasta por Eusébio e companhia provavelmente às lágrimas por esse frango entre pernas ter impedido o clube da águia ao peito erguer mais uma Taça dos Campeões Europeus, ganha assim pela Internazionale com aquele único golo marcado pelo brasileiro Jair. Mas não era só o apelidadoCosta dos Frangos que fazia a sua fífia. Outros grandes o imitavam, como José Pereira, o Pássaro Azul (do Restelo), Américo do FC Porto e Carvalho do Sporting CP e depois José Henrique e Bento do Benfica, Zé Beto do Porto, ou o grande Damas do Sporting, o mais elegante e elástico dos goleiros. Mais recentemente, Vítor Baía do FC Porto um dos grandes das balizas portuguesas também não escapou à regra de que o grande guarda-redes e o respectivo frango estão umbilicalmente ligados, visto que bola deixada entrar infantilmente pelo mau defensor considera-se normalidade e nem sequer é focado como tal.
Ao partirmos em defesa de Ricardo nesta crónica veio-nos entretanto à memória o goleiro brasileiro Barbosa que na célebre Final do Mundial de 1950 em pleno Maracanã, Rio de Janeiro, foi acusado de ter oferecido a vitória para o vizinho e rival Uruguai com um monumental frango. Apesar de crucificado de imediato, o que até aceitamos dada a paixão que rodeava o encontro, nunca se livrou da cruz e passou os restos dos dias carregando Cruz mais pesada que a cruz da vida e a sua memória ainda não mereceu a devida reparação... tal como a cor negra da sua pele que ainda sofre alguma execração nas balizas brasileiras.
Claro que Ricardo, o guarda-redes que Luiz Felipe Scolari entendeu colocar a defender a baliza (meta em perspectiva brasileira) da Selecção Nacional Portuguesa, não passou nem passa por tamanho Calvário, mas já cheira a ridículo a perseguição que certos sectores dos futebóis lusos lhe movem. Tal como aconteceu em 2004 com o golo grego que ditou a nossa derrota na Final do Europeu disputado em Portugal também agora circulam pela internet fotos que querem convencer-nos que o terceiro golo alemão foi frango ou por outras palavras que Ricardo é o causador da eliminação (prematura?) de Portugal no Europeu 2008.
É lógico que não somos morcões alguns para não sabermos de onde partem estas pérolas, só que não conseguimos entender é como que estes fiéis ainda não conseguiram engolir a espinha servida a frio pelo seleccionador nacional em 2003/2004 por não ter pescado nas Antas o peixe dourado e mais querido: Vítor Baía.  E a indigestão é de tal ordem que o pacote que nos oferecem ainda traz o golo grego... se é para nos avivarem a memória poderiam ser uns gajos mais democráticos e ter lá colocado uma sequência de imagens do chapéu do Poborsky que nos eliminou em 1996 para continuarmos a discussão se afinal foi frango por adiantamento de Baía ou não. Mas entende-se e não será necessário esquema, claro. Convenhamos que por um lado nem é mau de todo este catálogo à La Redoute com que já fomos brindados por três amigos e em que nos são mostradas fotos pormenorizadas dos pormenores, se nos permitem, da hipotética falha de Ricardo... demonstra afinal que os anti-Ricardo consideram a Alemanha como uma equipa vulgar e que vêem que no desafio nos batemos de igual para igual, sinónimo de que admitem uma personalidade adulta na Nossa Selecção e nós acrescentaremos que os próprios fazedores das fotos também já evoluíram mentalmente porque há uns anos a esta parte até se borravam só de ouvir o nome Alemanha.
Confessamos que não estava nas nossas pretensões tentar explicar as razões de sofrermos aquele golo ou o anterior, ambos partindo de lances de bola parada, previsíveis, estudados, lances que de certeza foram  mais que esmiuçados em palestras/vídeo porque quem lá andou dentro sabe perfeitamente como estas coisas acontecem: um lance até pode ser previsível, mas uma pequena distracção ou por outras palavras uma falta de concentração e consequentemente falha na marcação e tempo de antecipação leva tudo a perder e em alta competição, imaginamos, cada centésimo deve valer ouro, a glória ou o inferno. Houve falha sim... de concentração, de marcação e, por curiosidade diga-se que durante o nosso percurso amador sempre nos foi dito que um homem marca-se por trás e não pela frente. Bom, talvez agora no Chelsea Scolari explique isso melhor, o que não isenta de falha Ricardo nem sequer Cristiano Ronaldo  colocado atrás do marcador do golo talvez à espera de uma hipotética "sobra de bola" para iniciar o contra-ataque... mas isto nem todos conseguem ver ou não querem perceber. Culpados? Foram todos, carago que se diz carago sim e até o árbitro sueco errou no terceiro golo, mas também lhe damos o benefício.
Agora trazer isto à tona é que achamos de uma mesquinhez própria apenas de devotos em cruzada há séculos perdida, e tão estúpida como lutar contra moinhos de vento. Voltamos à vaca fria e perguntamos: afinal porque razão Baía haveria de ser convocado? Por vestir a camisola do FC Porto? Homessa. O privilégio de pertencer a uma instituição ganhadora não lhe dá direito algum. O facto de ser bem falante e bem apessoado? Campo de futebol não é palco nem passerelle.  Quem é que forma uma equipa? São os jogadores,  os dirigentes, os adeptos ou o treinador? Ah... os prémios... melhor da Europa naquela época e blá, blá, blá... não sabemos todos nós que a qualificação de melhor é sempre subjectiva? E que é o guarda-redes o elemento que tem de transmitir mais  confiança ao treinador? Scolari entendeu que ele não reunia as condições e pronto. Ponto final na coisa. Dizem que os pratos italianos de massas alimentícias são divinais e nós pessoalmente detestamos, nem uma garfada conseguimos meter à boca. Vamos degustar porque os outros dizem que é bom? Era o que mais faltava. Scolari tinha que levar Baía porque os outros o consideravam bom? Ora essa.
Cremos que Scolari nunca deu explicações (seria estúpido se as desse) e provavelmente isso ainda mais enfureceu os cruzados, mas perguntamos nós: alguém deu explicações por Baía ser titular em 2002 naquele Mundial a Oriente que apelidamos em homenagem a António Oliveira, o Oliveirinha, de CJeP, copos jogatina e ... meninas? E o próprio Baía algum dia nos explicou a razão de se ter negado em representar a Selecção Nacional Portuguesa no Mundial Sub-20 na Arábia Saudita onde conseguimos o primeiro dos dois títulos de campeões? Ah... foi uma lesão... pois... não decorreu muito e os jornais davam em título que um miúdo de 19/20 anos era já titular da baliza do grande FC Porto... coincidências... como também agora foi o de ter sido contemplado com a Ordem do Infante no último 10 de Junho, condecoração que é atribuída àqueles que prestam serviços relevantes a Portugal e por tão banalizada leva-nos também a exigir uma Ordem para Voz do Seven... afinal mesmo distante está sempre ao dispor da Pátria em toda e qualquer circunstância, jamais se negando a servi-la, sempre pronto a erguer a Bandeira e a levar longe o nome de Portugal.

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publicado às 09:15


5 comentários

De agostinho a 27.06.2008 às 22:26

Ora aqui está o nosso ponto em comum: Briosa.

De Seven a 26.06.2008 às 07:27

Isso não sei... talvez tenhas razão... ou talvez não... a verdade é que essas guerras só prejudicam o futebol português, mas não julgues que se a sul não prestam é quem governa a norte que tem a razão. Nenhum deles presta. Mas essa questão de Baía não ter sido convocado é para mim supérfula, o que eu não posso admitir é que se tenha partido para o ataque a Ricardo da maneira que se viu. Realmente talvez tenha faltado esperteza a Scolari... tinha convocado o Pedro Roma e acabava com a questão eheheh. Só te peço é que vejas na minha escrita ausência total dessas guerras norte-sul (eu até sou do centro, da Beira, sempre desprezada quer por uns quer por outros ).
Cresci águia em jaula de leões (tempos de Eusébio), mas a partir do momento que vesti a Camisola Preta dos Pinguins da minha terra e que rumei a Coimbra fui largando essa "paixão" vermelha própria dos verdes anos e a preferir a Briosa...
Não escondo que entre o Benfica e o Sporting (este sim o verdadeiro rival daqueles tempos ao qual pertenciam meu pai e meus irmãos) prefiro que ganhem os vermelhos,mas que se lixem ambos... e logicamente que entre Benfica e Porto,a mesma coisa... quando jogam internacionalmente sou por todos.
Na verdade ser simpatizante da Académica de Coimbra é um raro privilégio... para além de apenas me preocupar se desce ou não (uma época destas vai acontecer, mas o planeta irá continuar a girar para o mesmo lado) fico bem longe dessas estúpidas guerrinhas, apesar de reconhecer que actualmente a Briosa muito deve ao FC Porto mas só espero que não tenha vendido a alma ao PC que com o "orelhas" o valentão o pimenta machadão e outras bostas que não lembro (ah o vale tudo) deviam é ser deportados para local onde jamais pudessem ser ouvidos...aliás devia haver lei que proibisse esses gajos de falar...

De agostinho a 25.06.2008 às 22:03

O tempo costuma dar razão a quem no tempo achava que tem.A verdade é como o azeite acaba por vir sempre ao de cima.Defendo que o Baía foi única e exclusivamente afastado na altura por ser do FCPorto.Se fosse dum clube de lisboa teria o seu lugar garantido.É só reportarmo-nos aos factos da altura.Gr. abraço

De Seven a 25.06.2008 às 02:06

Caro Agostinho, claro que para partir em defesa de Ricardo tive (e qualquer um terá) de atacar Baía. É que quando em 2004 se levantou o movimento pró Baía e repararam que não bastava atacar Scolari partiram para o enxovalhamento de Ricardo que necessitou inclusive de tratamento psicológico. A "máquina" atrás de Baía era de tal forma grande que funcionou até como "handicap" para alguns, como eu confesso, que partiram a favor de qualquer um guarda-redes... menos de Baía. Lembro-te que após a vergonha a oriente, Portugal fez dois desafios (se não me engano) sob o comando de Agostihnho Oliveira o adjunto do António Oliveira e não convocou Baía.... lembro-te ainda que na primeira convocatória, Scolari afirmou que se baseou em relatórios de Agostinho Oliveira... lembro-te finalmente que uma equipa de futebol não é feita apenas pelos melhores jogadores: as maçãs (personalidades) que podem "apodrecer" o resto do elenco independentemente de serem de boa espécie (jogarem bem) têm de ser eliminadas. Quanto a muitos (que fosse a maioria) desejarem Baía e Scolari não o escolher lembro-te apenas que a democracia não pode ter lugar no futebol, afinal tal como na tropa por exemplo, e só joga quem o comandante entender. Creio igualmente que a força de Baía entre os seus colegas de Selecção não seria muita, nula talvez e talvez também ele não fosse lá muito bem aceite por um certo grupo mais influente (nunca Figo e/ou Rui Costa vieram em sua defesa). A sua presença seria assim mais de divisão (entre jogadores) que de união tudo afinal ainda fruto da tal campanha vergonhosa no Mundial de 2002 que nunca foi explicada aos portugueses.
As fotos que circulam na net (mais uma vez e à semelhança de 2004) não Têm o intuito único de mostrar o hipotético frango de Ricardo e sim de o menosprezar, culpá-lo da eliminação e (ao recordarem e trazerem à tona o Euro 2004) de mostrar ao mundo que afinal a razão estava do lado de alguns e jamais do lado de Scolari que independentemente dos resultados alcançados, com mais ou menos soco, mudou a mentalidade do futebol português transmitindo-lhe uma personalidade mais adulta e uma atitude ganhadora não só ao atleta como ao próprio "adepto torcedor" onde eu me incluo: hoje não temo adversário algum.
Aquele abraço

De agostinho a 24.06.2008 às 22:30

Viva Seven.
Em defesa de Ricardo mas contra Vitor Baía.Nessa altura não jogou o Vitor Baía porque Scolari não quis embora fosse considerado o melhor da Europa.Todos temos uma opinião e nessa altura o Baía era considerado como tendo a grande maioria das opiniões favoráveis.Não podemos considerar como sendo únicos e o que os outros dizem não conta como fez nessa altura Scolari.O Ricardo defendeu o que pode e mais não se lhe podia exigir. Culpá-lo!..Com que intuito?

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