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A mãe não é tua, é minha...

por neves, aj, em 22.07.08

quem é Lara Guina

A opinião de LARA GUINA

A mãe não é tua, é minha...

É notório que muitos irmãos são verdadeiros amigos, ao passo que alguns, se não são declarados, são camufladamente “inimigos”, ou pelo menos adversários. O ciúme entre o irmão mais velho e o irmão mais novo pode chegar a extremos. Os pais precisam de estar atentos às suas atitudes. A comparação é uma das atitudes que devemevitar.
Quando pensamos sobre o comportamento entre irmãos, coisas como ciúme, inveja, rivalidade, competição, pensamos sempre como comportamentos anormais e negativos. O ciúme é visto pelos pais como algo incorrecto entre irmãos, principalmente em relação ao irmão mais velho, quando nasce o segundo filho. Muitos pais chegam mesmo a dizer ao filho, que o ciúme é feio, que nunca deve existir em relação ao irmãozinho e que este veio para brincar com ele, ser seu amigo e companheiro nas brincadeiras. Isto é verdade, mas existe também uma outra verdade que nunca é dita pelos pais, mas sabemos. Este irmão veio para dividir com ele o amor da mãe, do pai, dividir a casa, às vezes o quarto, os brinquedos, a atenção dos familiares. A criança percebe essa verdade no momento em que a mãe chega da maternidade com o bebé no colo. O colo já começa a ser dividido desde então. O ciúme neste caso, é esperado e, portanto, normal.
O anormal seria se o irmão mais velho não sentisse rivalidade nenhuma contra o bebé que chega e se o tratasse amigavelmente. Quando isto acontece, podemos dizer que esta atitude é estranha e preocupante, pois é uma atitude que não faz parte da índole da criança, e que obviamente ela deveria demonstrar ciúme em alguns momentos.
Tanto o ciúme como a inveja, quando intensos, são fonte de grande ansiedade. O ciúme na criança, quando não é demasiado forte, é característica normal da personalidade. Envolve rivalidade sadia; e quando surge no relacionamento com irmãos, é um treino preparatório da fase competitiva, que mais tarde a criança precisará de enfrentar no ambiente social e profissional.
Pode haver também uma regressão: birras, quer que lhe dêem comer na boca, revolta-se, agride os pais, inapetência, fracasso nos estudos ou recusa em crescer e em ser independente. Quando essa fase se estende muito, pode ameaçar o equilíbrio da personalidade infantil. Como característica do comportamento deste irmão ciumento, podem surgir alguns comportamentos de oposição: por exemplo: os pais gostariam que ele fosse bom aluno, fosse disciplinado, e a criança reage ao contrário, opondo-se a essa expectativa para assim atrair a atenção tão desejada dos pais.
Desde que a afetividade e o sucesso da realização das tarefas estão intimamente ligadas e interdependentes, a produção e o rendimento dessa criança costumam ser baixos. A criança pode acha-se inferior e, portanto, anula-se. Esta atitude determina reações depressivas por parte da criança. Deve-se, neste momento, canalizar essa agressividade adequadamente, valorizando os seus sucessos nas aulas de natação, ou noutra actividade qualquer onde a criança se destaque pelo seu desenvolvimento. Ela deve ser estimulada a fazer novas amizades e a frequentar outros lugares diferentes daqueles do irmão. As comparações, obviamente, devem ser evitadas. Inevitavelmente, elas ocorrerão, mas espera-se, vindas de fora. Dizer que um dos irmãos é mais inteligente, mais carinhoso, não servirá de estimulo ao outro irmão; muito pelo contrário, só fará com que ele se sinta humilhado e inferiorizado. Mais tarde, é provável que se torne num adulto que se julgue pouco inteligente ou pouco afectuoso, bloqueando-se nessas áreas; o que não é incomum. Com frequência encontramos adultos ou adolescentes que se julgam feios, incapazes ou pouco criativos porque sempre foram comparados ao irmão. Comparações desse tipo minam traços do caráter da criança e afectam o seu desenvolvimento.
Assim, os pais devem identificar e realçar as características positivas de cada um. As habilidades e talentos devem ser sempre valorizados e nunca comparados.

Lara Guina
Psicóloga Clínica

http://laraguina-psicologa.blogspot.com/

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publicado às 22:21


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