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Desconhecemos (ou talvez não) onde o ser humano foi descobrir essa balança ou bitola que transforma tais feitos em mais ou menos relevantes, já que em todos a essência é a mesma, mas o facto é que o acto heróico de D. Maria Jerónima saltou para as primeiras páginas dos periódicos nacionais e jornais televisivos de todo o Brasil...
... ao ver um filho seu de 7 anos a ser tragado pelas águas profundas de um poço (que a sociedade deveria ter protegido) a nossa heroína nem se lembrou que não sabia nadar e em desespero partiu para o salvamento da vida de seu filho.
Será até caso para dizer que "mãe desesperada vale por duas" já que tudo acabou em bem, felizmente, visto que não são poucos os casos em que a "imprudência" (desculpem-nos o vocábulo) e a precipitação levam a que os salvadores se tornem facilmente vítimas.
No entanto, a velha mania das deduções impediu-nos a digestão fácil de todo este drama que não chegou a sê-lo, mas que se poderia tornar em tragédia. E, note-se, até poderia chegar à barra dos Tribunais já que certamente não terá passado desapercebido aos nossos estimados leitores, atentos por natureza, o facto de a notícia transcrita e por nósvisionada ontem no telejornal da Globo estar devidamente documentada por imagens retratadas por fotógrafo de jornal local que por acaso passava por ali quando andava em busca de casos.
É verdade que Voz do Seven até deveria agradecer as imagens ao felizardo do fotógrafo, mas como somos avessos a vendilhões no templo logo de imediato uma questão inevitável se colocou na nossa mente... será o brio (dever ou instinto, como ele diz) profissional mais forte que a solidariedade, o amor ao próximo? Mas qual é a nossa? Então o homem das objectivas parte em busca de tapa-buracos para um jornal, depara-se com um moleque a afogar-se e trata de fazer uns bonequinhos em real (real de $reais) "furo jornalístico" antes de cumprir o seu dever de cidadão? Ninguém aqui está a exigir-lhe que mergulhasse, mas pelo menos, c'um raio, que partisse em busca de uma vara comprida que chegasse até às mãozitas do miúdo. Perdoem-nos a ironia, mas se o passante fosse um cangalheiro de igual estirpe profissional que iria ele fazer?
Em verdade vos dizemos caros leitores que nem queremos imaginar os trabalhos que esperariam o nosso homem se houvesse tragédia e se as vítimas, seus familiares, tivessem meios para accionar os homens de Direito.
Adiante... mas antes de finalizarmos temos que enviar mais algumas farpas, agora na direcção da Imprensa mais vasta, mais abrangente, porque estamos cônscios que jamais os anónimos D. Jerónima, o Gabriel e o local onde habitam (que necessitava era de anterior reportagem a alertar o "problema do poço" e não só) saltariam para as redes televisivas nacionais se o fotógrafo não tivesse obtido as imagens. Prova cabal é o próprio título dado ao vídeo disponibilizado pelo G1 - portal da Globo, Clip: fotógrafo registra salvamento de uma criança pela mãe...