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BE - Santa Comba Dão

por neves, aj, em 04.08.07

Photo Sharing and Video Hosting at PhotobucketEm Julho (dia9) chegou ao Voz do Seven, à entrada "Santa Comba Dão - 6 anos decidade", o seguintecomentário
ESPALHEM A NOTÍCIA
A pedido de muitas famílias entrou em funcionamento o blog do bloco de esquerda / Santa Comba Dão. É por aí que as ideias para o concelhoem geral e para cada freguesia em particular irão passar. Para já poderão encontrar um texto sobre os perigos da contaminaçãoradioactiva das Minas da Urgeiriça (Nelas). Aproveitem a caixa de comentários para fazer críticas ou deixar sugestões.
Fica o endereço:
http://besantacombadao.blogspot.com/
Mesmo semsequer nos cumprimentarem e de nem sequer enviarem um abraço (sempre é missivaque vem da terrinha, ora) pareceu-nos de imediato que o comentário/divulgaçãoestá longe de ser um pedido, mais parecendo uma ordem e disto, de ordens, Vozdo Seven não gosta não... é que Voz do Seven não tem por norma entregar"cartas a Garcia". No entanto, como o blogue, da autoria do Núcleo doBloco de Esquerda de Santa Comba Dão, se define como espaço de debate, detroca de ideias, e atendendo que OUTRO MUNDO É POSSÍVEL é slogan com o qualconcordamos e defendemos, entendemos então nós, Voz do Seven, que o ESPALHEM ANOTÍCIA é merecedor de ser aqui focado e difundido... isto apesar de que ainda nãoencontrámos qualquer discussão sobre o nosso Município e é isso queactualmente nos interessa visto que estamos a 8 mil quilómetros de distância ecada vez mais órfãos de notícias (mas isso é outro caso).
A mensagem está entregue. Desde já fica a ligaçãoe a informação que num futuro bem próximo o ESPALHEM A NOTÍCIA passará a constar na coluna dos links na casa-mãe do Voz do Seven quando esta dispuser de um apartamento mais condigno e inteiramente dedicado à nossamãe-terra.

Em remate vai aquele abraçopara todos os santacombadenses e votos que o ESPALHEM ANOTÍCIA traga contribuição para o progresso da nossa Santa Comba Dão.

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publicado às 11:07

ERA

por neves, aj, em 03.08.07
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Já repararam aí na coluna da esquerda, na coluna dos links, que hoje estou a ouvir ERA? Do porquê não sei, mas não é verdade que existem razões que a própria razão desconhece? O que interessa, a mim em particular, é que assim consigo amenizar a irritação que a entrada anterior me provoca.

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publicado às 10:05

Pena máxima

por neves, aj, em 02.08.07

(provavelmente a pena maior é infligida pelopróprio ao obrigar-se a encarar os seus familiares a quem colocou às costas uma cruzpesadíssima cravejada de sangue e vergonha)

Photo Sharing and Video Hosting at PhotobucketConsiderado culpado pelos Tribunais, apesar de ainda lhe assistir o direito a recurso, aquele que vinha sendo acusado do homicídio das três jovens da nossa terra natal foi sentenciado com 25 anos de prisão.
O Povo, em revolta e insatisfeito, gritava assassino e exigia prisão perpétua e mesmo a morte. Contudo, como frisou o juiz-presidente, os Tribunais julgam em nome do Povo, mas não devem obediência ao Povo.
Na leitura da sentença (o acórdão) o juiz-presidente evitou os termos jurídicos, falou abertamente e de forma simples para que o Povo entendesse. Explicou detalhadamente como a soma das penas dos crimes cometidos e provados em Tribunal, o chamado cúmulo jurídico, atingiu sessenta e tal anos de prisão, mas que face à Lei o arguido só pode ser sentenciado com 25 anos, a pena máxima aplicável em território português.
É a Lei, tenhamos em consideração. Deixemo-nos de comparar com a lei deste ou daquele país. Assim está escrita a nossa lei e em nome dessa Lei acatemos a decisão. A Lei foi cumprida. Foi feita Justiça.

Na sua dissertação, o juiz-presidente mostrou alguma insatisfação por o arguido não admitir a culpa e de forma bem realista antevendo o recurso a que ele tem direito desafiou-o a reconsiderar a sua posição e a confessar em Tribunal Superior. (Portugal Diário)
Igualmente de forma bem realista o juiz-presidente lembrou ao homem seco, frio e indiferente (e também aos presentes) de que a pena não será cumprida na totalidade já que, certamente por bons comportamentos e afins diremos nós, os 25 anos sentenciados serão substancialmente reduzidos e o já apelidado Homicida de Santa Comba Dão (
Público) poderá sair em liberdade condicional após cumprimento de três quartos da pena.

A revolta e a indignação novamente tomaram conta do Povo ao imaginarem o ex-cabo e ex-respeitado na sua terra natal, a sair em liberdade. Liberdade esta que pode ser total, igual aos demais homens livres, no fim do cumprimento de cinco sextos da pena. Até lá pode ainda o lobo agora despido de pele de cordeiro usufruir dos direitos consagrados na Lei, de ao fim de cumprimento de um quarto da pena (seis anos e tal) solicitar dias de saída, as chamadas saídas precárias que levam este nome porque não são duradouras e implicam um regresso. (Correio da Manhã)
Assim, tendo em atenção de que já cumpriu um ano de prisão (em preventiva) pode, talvez em 2012, o ex-cabo e ex-prestativo  ir passar o Natal com os que o considerarem e até distribuir cabazes aos necessitados, talvez fazer uma peregrinação a Fátima ou sabe-se lá percorrer as ruas de aldeia qualquer integrado no compasso de Domingo de Páscoa. 

Muito por culpa da recordação do assassino da praia do Osso da Baleia que na cadeia até virou sacristão, cumpre-nos pedir desculpa pelo desabafo e pela ironia usados no que acabámos de escrever acima, mas a enorme dor e a revolta que tomaram conta de todo aquele que prima por uma sociedade civilizada também nos atingiram e além do mais consideramo-nos igualmente lesados, decepados de maravilhosas recordações entoadas em raciocínios lógicos e escritas na forma de fracções, teoremas, equações...

Inevitavelmente muitos de nós se interrogam sobre o nosso sistema penal, que dizem de penas brandas. Alguns defendem a perpétua e outros chegam a apelar à pena de morte em exclusividade para casos como este. Quanto à primeira (de enormes custos para qualquer país) parece-nos mais atitude punitiva que de reinserção social o que contraria a forma como Portugal encara o sistema penal, prisional ou judicial e quanto à segunda nós pessoalmente somos contra. Não somos apologistas da pena de morte. Quanto a nós, a pena de morte não é propriamente justiça é antes vingança que leva a sociedade a agir da mesma forma que o assassino e, independentemente das crenças religiosas que nada devem ter a ver com estas coisas de leis dos homens, defendemos que ninguém tem o direito de tirar a vida de ninguém. Para mais, cremos que executar um homicida é livrá-lo do mal e dar-lhe a liberdade, presenteá-lo com o privilégio de jamais enfrentar a sociedade pelos actos (tresloucados) cometidos, livrá-lo da confrontação social, matá-lo é livrá-lo de pagar penosamente no "inferno terreno" perante os olhos dos homens já que se saiba ainda ninguém teve o privilégio de assistir à execução da "justiça divina", em suma, executá-lo é oferecer-lhe a fuga, fuga esta que, por exemplo, o suicida tanto busca.
Independentemente do número de anos, cremos ainda que a pena maior é dada pelo próprio, ao marcar de forma vergonhosa e sangrenta e durante gerações todos os seus e sujeitando-os a uma certa auto-proscrição ou exílio social. Qual o homem de bem que quer ver o seu nome e a sua imagem coladas a uma barbaridade? Para mais tratando-se de alguém do seu sangue? Por falar em laços de sangue não resistimos em discordar do Meritíssimo Juiz quando aponta como atenuantes (da pena) o facto do arguido ser bom pai e bom marido... não, de maneira alguma, senhor doutor... nenhum bom pai pode deixar como herança três hediondos crimes.

compartilhandouma dor – A Ponte Submersa – atormentado</font>

Post-scriptum- ainda em sufoco, mas já mais aliviado, quero enviar um abraço mui fraterno esolidário a todos os familiares das jovens flores abruptamente ceifadas donosso jardim. Pelos exemplos que por aqui tenho conhecimento (ó tanta mãeórfã de seus filhos) atrevo-me a sugerir a constituição de uma fundaçãocom o nome das vossas meninas. As ajudas não faltarão, não podem faltar, ecreio que para além de as homenagear eternizando-as e de poderem contribuirpara uma sociedade mais fraterna, a vossa dor ameniza um pouquinho mais.
Com sinceridade e ao vossodispor
Neves, AJ

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publicado às 12:03

Beleza Corporal

por neves, aj, em 01.08.07
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Como legenda a foto publicada no portal UOL diz-nos que se trata de modelo em festival de pintura sobre o corpo realizado na Alemanha. Voz do Seven aproveita e publicita os diversos álbuns sobre o tema que possui em arquivo.

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publicado às 21:10

Um dia de pesca dolorosamente reconfortante

por neves, aj, em 01.08.07

AS HISTÓRIAS DEJOÃO DE JESUS

Umdia de pesca dolorosamente reconfortante
(todo o teutormento se ameniza se o enfrentares)

A Primavera tinha feito a sua aparição há muito e os dias soalheiros eradiosos convidavam a guardar os agasalhos no baújá que apenas voltariam a ser necessários na estação outonal com a chegada dos primeirosfrios.
Porém, a manhã apareceu nublada, plúmbea, mas com uma temperatura amena e dentro dos valores que se vinham registando há algumas semanas.Surpreendentemente ainda dentro de casa senti frio... um arrepio invulgar, talvez sintomático de algum resfriado que estivesse prestes a eclodir ea reter-me no leito por alguns dias.
Hesitei se devia cumprir o planeado no dia anterior: - fazer uma das minhas frequentes incursões pela “natureza adentro”, tentar pescar umastrutas e simultaneamente retemperar o corpo e o espírito. Abri o baú e retirei um abafo que não era suposto usar naquela altura. E pus-me a caminho. Apesardaquele sintoma que citei, conclui que estava bem fisicamente.
Embora distasse algumas dezenas de quilómetros, a viagem até ao local previamente escolhido não demorou mais que uma hora.
Depois foi o mesmo ritual de sempre… calcei as altas galochas e vesti o fato camuflado que me habituei a usar nestaslides depois de ter chegado à conclusão que ele muito contribuía para que os timoratos salmonídeos sedeixassem ludibriar mais facilmente.
E ao virar da esquina, ali estava ela, a ribeira que tão bem conhecia, com os seus pequenos açudese a sua corrente rápida chocando contra a penedia donde subiam pequenos flocos de espuma que contrastavam com o cinzento carregado do céu.
Fui andando ribeira acima, como peregrino em cumprimento de promessa por graça recebida.No entanto rapidamente concluí que o dia estava mais para me deleitar com o meioenvolvente que propriamente para capturar algum exemplar, cujos membros, a mãe-natureza achou por bem transformar em barbatanas.
O coaxar das rãs, o voo rasante e super rápido dos belos pica–peixe e o mergulho da graciosa lontra, que por alinaqueles tempos ainda se via com relativa frequência, eram motivos suficientemente fortes para prosseguir a minha caminhada.Nas margens, as actividades agrícolas estavam em fase de grande labor e a cada passocruzava-me com pessoas que por ali andavam na sua faina. A todos saudava com o clássico e habitual BOM-DIA, recebendo de imediato a retribuição.Interrogo-me como é que um gesto tão simpático e tradicional nos nossos costumes está em vias de extinção...nos dias de hoje ninguém cumprimenta ninguém, enfim sinais dos tempos!
Aproveitando também para descansar as pernas, fiz uma pequena paragem para poder apreciar a azáfama de ummelro transportando os elementos que seleccionara para a feitura do ninho. O local escolhido foi um denso amieiro que crescia robusto na margem oposta. E como a partir daí as águas corriam mais mansas, pois o leito era menos acidentado, comecei a ouvir ainda longe como que uma sinfonia, de chocalhos, campainhas e balidos. Fui-me aproximando e deparei com um rebanho de gado ovino de razoáveis proporções.
Cumprimentei o pastor, homem já muito bem “instalado” na idade. Semblante triste, olhou-me cabisbaixo, retribuiu o cumprimentoque lhe fiz e de imediato perguntou-me: O senhor traz essa “farda”... quer dizer que andou lá pela guerra deÁfrica. Confirmei a veracidade da sua dedução e respondi-lhe que tal como grande parte dos jovens da minha faixa etária, por lá tinha andado. E acrescenteiainda que tinha estado na Guiné.
– Na Guiné? O seu rosto transformou-se e duas lágrimas rebeldes sulcaram-lhe o rostoenvelhecido. – Na Guiné morreu-me um filho, sabe? Ou melhor, mataram-nocobardemente!
Tentei confortar o emocionado homem, com palavras de circunstância, dizendo-lhe que infelizmente muitos pais tinham sido atingidos por desgraça semelhante.
– Sei que isso é uma realidade, mas jamais me conformarei com a morte do meufilho!
Enquanto enxugava as lágrimas e tentava conseguir alento para prosseguir a sua narrativa, eu senti um forteARREPIO. Um arrepio tal qual o sentido em casa e que julguei ser prenúncio degripe ou resfriado.
– Sabe, o meu filho era pára-quedista, mas nem corria risco de ser morto emcombate. Era especialista na dobragem dos pára-quedas e por isso não ia para omato. Mas morreu assassinado por um fuzileiro, natural aqui do concelho. Por causa de umas quezílias, umas rivalidades, surgidas num torneio de futebol, disputado em Bissau.
Fiquei petrificado, incapaz de articular uma palavra. Adicionei as minhas lágrimas às dodesventurado homem, pois não foi difícil concluir que, por obra sabe-se lá dequem, estava na presença do pai do meu melhor amigo, um amigo conquistado durante o tempo militar.
As ovelhas e o fiel cão que as mantinha sempre dentro do perímetro“alimentar” rodearam-nos, como que tentando perceber o diálogo tão parco de palavras,mas cruel, que se estabeleceu entre o seu dono e o forasteiro.
E certamente ter-me-ão ouvido perguntar: – Então o Sr. é o pai do meu amigo Fernando Marques?
Com a voz embargada pela emoção, conseguiu responder afirmativamente e questionar-me:– O Sr. conheceu o meu filho?
– Sim meu amigo, conheci muito bem o seu filho. Fomos "colegas dearmas” e grandes amigos, cá antes de mobilizados e na Guiné. E lamento dizer-lhe, mas infelizmente assisti à morte do seu filho!
Seguiu-se um silêncio sepulcral, selado com um forte abraço a que o “Fiel” não terá achado muita graça, pois rosnou e mostrou osdentes como que perguntando ao dono se necessitava dos seus préstimos.
Inevitavelmente, surgiu o convite para ir a sua casa, sobranceira ao prado onde o gado se alimentava.No caminho, como que justificando o convite, ia dizendo que a esposa, envolta num luto profundo desde o dia que soube ter perdido o filho amado, gostariamuito de conhecer alguém que tão de perto convivera e fora amigo do seu “menino”.
Lá estavam religiosamente guardados os álbuns de recordações… as fotografias e os aerogramas com o desejo expresso e bem vincado do regresso, pois faltavam poucos meses para terminar a sua missão!
– Veja Sr., este é o nosso Fernando, com dois colegas. Deviam ser muito amigos, pois mandou-nos diversasfotografias onde estão sempre os três.
Mais uma lágrima me correu pela face, quando vi a foto e lhes disse que o colega e"amigo do meio” se encontrava naquele momento na sua presença!
Consegui reunir forças e dei-lhes alguns pormenores, da maneira estúpida e bárbara, como tudoaconteceu e fiquei com a sensação que esse relato os deixou mais conformados,porque até esse dia nada sabiam de mais concreto... apenas um lacónico telegrama lhes tinha chegado:"O seu filho morreu num acidente com arma de fogo stop. Não tem direito a qualquer pensão por parte do Estado stop. Sentidas condolências stop".

LIVROGADAMAEL – RELATO DO ACONTECIMENTO

João de Jesus
Coimbra

quemé João de Jesus
HISTÓRIAS DE JOÃO DE JESUS

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