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Não aos maus tratos!

por neves, aj, em 20.10.08

quem é Lara Guina

A opinião de LARA GUINA

Não aos maus tratos!

PhotobucketAo longo de vários séculos, verificou-se um tratamento inadequado e agressões a crianças, sob as mais diversas formas. As crianças são muito frágeis, indefesas e dependentes, o que as torna bastante vulneráveis à violência, ao abuso e à exploração. Só nos meados do século XX é que passou a ser vista como um ser social, integrante e parte preciosa da sociedade. O reconhecimento e valorização do papel da família e do ambiente no desenvolvimento da criança tornaram-se indiscutíveis e a Pediatria Social passou a assumir um papel de especial relevo.
Em 1991 foram criadas as Comissões de Protecção de Menores, com sede nas autarquias locais, integradas por representantes dos tribunais, técnicos de serviço social, médicos e elementos da autarquia e da comunidade. Em 2001, este modelo de protecção foi reformulado e foram criadas as Comissões de Protecção de Crianças e Jovens, localizadas nos municípios e constituídas por uma equipa multidisciplinar. Estas instituições visam promover os direitos da criança e do jovem e prevenir ou acabar com situações que afectem a sua segurança, saúde, formação, educação ou desenvolvimento integral.
Qualquer cidadão comum que tenha conhecimento de maus tratos a qualquer criança ou jovem pode e deve informar estas Comissões de Protecção de Crianças e Jovens. Os maus tratos podem classificar-se em diversos tipos: mau trato físico, negligência, abuso sexual, mau trato psicológico. O mau trato físico é o mais frequentemente diagnosticado nas instituições de saúde, é responsável por uma elevada morbilidade e a principal causa de mortalidade. A negligência consiste na incapacidade de proporcionar à criança a satisfação das suas necessidades de cuidados básicos de higiene, alimentação, afecto e saúde, indispensáveis ao seu crescimento e desenvolvimento normais. A negligência é uma forma muito frequente de mau trato, insidiosa e de graves repercussões para a criança, nomeadamente o risco de morte, acidentes, atraso de crescimento e desenvolvimento e alterações de comportamento. Quanto ao abuso sexual, este, talvez seja o mau trato mais traumatizante para a criança. A incapacidade dos pais em proporcionar à criança um ambiente de tranquilidade, bem estar emocional e afectivo, indispensável ao crescimento, desenvolvimento e comportamento adequados, também é considerada um mau trato, mau trato psicológico, de difícil definição e diagnóstico.
Existem alguns factores de risco, inerentes aos pais e à criança, associados a uma situação de crise. Os principais factores de risco nos pais são: antecedentes de maus tratos na sua própria infância, características de personalidade imatura e impulsiva, maior vulnerabilidade ao stress, mudanças frequentes de companheiros e de residência, antecedentes de criminalidade e hábitos de alcoolismo ou toxicodependência. São consideradas crianças de risco: as que são filhas de mães muito jovens, solteiras ou sós, de gravidez não desejada, as que não correspondem às expectativas dos pais, as crianças portadoras de alguma deficiência ou doença crónica. Todos estes factores de risco dos pais e das crianças combinados com situações de crise, como por exemplo, desemprego, dificuldades económicas, divórcio dos pais, depressão de um elemento da família, poderão contribuir para o aparecimento de maus tratos.
É importante que estas famílias sejam ajudadas. A escola, o centro de saúde, a acção social, assim como as CPCJ têm a função de sinalizar as famílias e de lhes prestar o melhor apoio possível. Mas a sociedade também as pode ajudar, basta um telefonema ou uma carta para uma destas instituições para que seja feita a sinalização e averiguada a situação.

Lara Guina
Psicóloga Clínica

http://laraguina-psicologa.blogspot.com/

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publicado às 09:21


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