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Ironias neste mundo bizarro

por neves, aj, em 24.05.09

O bebé da foto foi abandonado dentro de um saco plástico. Sabe-se hoje que abandonado pela própria que o pariu, uma jovem de apenas 16 anos e que escondeu a gravidez por medo da reacção da família.

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Em vias do que acabámos de dizer queremos desde já esclarecer que  não é nossa intenção investigar a cegueira colectiva da família nem crucificar a jovem mãe(?) cuja imaturidade não soube reagir de maneira decente ao problemão que lhe inchou o ventre. Não fazemos julgamentos, apenas pretendemos colocar uns ses, talvez polémicos ou talvez não, depende da interpretação de quem ler. Apenas pretendemos pôr a pensar os leitores sobre o depois, afinal o que se vai seguir, mas também sobre o antes, afinal o que se poderia ter feito a fim de evitar o depois.
Bom, em face de tão hediondo acto, que choca de sobremaneira a opinião pública, sabe-se que a Justiça dos Homens não perdoará à jovem que não tomou (ou não soube ou nunca soube tomar) as devidas precauções para evitar todo este imbróglio. Talvez ela diga em julgamento, a conselho do advogado ou não, que está arrependida e que até deseja cuidar da sua cria pelo resto da vida. Jurará a pés juntos que vai ser a mais extremosa das mães. Virá a sua própria mãe, ainda espantada por ser avó num abrir e fechar de olhos, e talvez também o pai, embora indignado por lhe terem "sujado o nome", darem apoio e até dizerem que lhe perdoam tão tresloucado acto e que aceitam cuidar da neta (é uma menina, nascida saudável e que passa bem) só para que a jovem que deu à luz demasiado cedo não sofra pena que a pode levar à prisão. Curiosamente não sofrerá da parte da Igreja Católica pena severa. Absolvida não diremos, mas talvez apenas uma advertência tipo cartão amarelo no futebol. Isto se porventura for ao "tribunal dos bispos", tão inquisitório quanto o outro de má memória, mas sinceramente que não cremos lá muito já que haverá coisas mais importantes para tratar nas homilias, como satanizar o uso do preservativo e publicitar a abstinência nas quaresmas entre procriações.
No entanto, se porventura esta jovem pudesse e tivesse praticado o aborto (a coberto de uma lei, claro) não estaria agora a braços com a Justiça dos Homens com problemas por ter abandonado um ser humano ao qual não chamamos filho porque temos dúvidas que seja fruto desejado, apesar de ser sangue do seu sangue. Mas, se tivesse interrompido voluntariamente a gravidez, as paredes das Igrejas abanariam com as vozes histéricasdos pregadores e os
dedos trucidadores do bispo tratariam de a esganar com a pena da excomunhão... e não só a ela: mãe, pai e quem mais tivesse anuido, e nem os médicos escapariam.
Bizarro este mundo em que vivemos, não?


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publicado às 10:08


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